Políticas e Práticas da Amizade

Neste projeto convocamos a amizade enquanto força de vínculo incondicional e desinteressado, e enquanto força de amparo e confiança radicais, convidando a uma reabertura sensível da figura do ‘amigue’
O que aconteceria se nos propuséssemos a contrariar a associação tão entranhada entre amizade, identificação e concordância e a experimentar fazer amizade com o estranho, o desconhecido, o incompreensível? E se pudéssemos oferecer ao diferente, que por vezes inquieta e incomoda, a mesma disponibilidade de escuta e tolerância que oferecemos ao amigue? Que outra política de convivência com a diferença poderia emergir de uma prática alargada da amizade, capaz de acioná-la enquanto força extensiva e inclusiva?

Essas inquietações movem o projeto Políticas e Práticas da Amizade, que nasce do processo de intimidade com o território da aldeia do Barril de Alva, que os curadores Bernardo Chatillon e Fernanda Eugenio foram construindo desde 2020, ao acompanharem e colaborarem, de modo intensivo-imersivo, com a emergência da Trust Collective. 

PROGRAMA | AÇÕES

Testemunhar esse processo levou os curadores a nomear a questão das políticas da amizade, como gesto de reconhecimento do que já lá estava, visando consolidar uma linha curatorial para a Trust no projeto que propõe 3 eixos de atuação, entre novembro de 2023 e novembro de 2024.

  1. EIXO INVESTIGAÇÃO-CRIAÇÃO

Este eixo tem como ações centrais o ciclo Rituais da Amizade e a Bolsa Mariana Nobre Vieira de Criação, além de contar com a parceria do Citemor. 

RITUAIS DE AMIZADE é um programa de artistas convidades estruturado sob a forma de ritual recorrente, que busca promover o encontro entre artistas implicades em questões delicadas e urgentes da atualidade e o público local. Cada artista é convidade em residência por uma semana, trazendo suas percepções-fazeres-saberes sobre a amizade e partilhando-os com o público via oficina, apresentação e/ou conversa, sendo desafiades a ocupar um espaço de convívio da aldeia para o efeito (o café Vira-Milho, a Casa do Povo, a Filarmónica Barrilense).

2. EIXO FORMAÇÃO

Este eixo assenta no programa Trust the Process, processo de inter-aprendizagem em criação colaborativa duracional, a desdobrar-se ao longo de toda a extensão do projeto, voltado a fomentar a sensibilidade artística através da relação direta e duracional dos curadores com pessoas locais, artistas e não artistas, que queiram entrar num processo de criação experimental. Alia-se, ainda, a parceria com o cem – centro em movimento e o AND Lab, ambos com abordagens micropolíticas e orientadas pelo fazer, que trabalham com práticas relacionais de ocupação de espaços públicos. O objetivo do eixo é estimular as pessoas locais a se verem como potenciais agentes de criação – percebendo a criação de modo alargado e reconhecendo que cada pessoa tem contributo a dar na realização de um processo artístico.

3. EIXO PARTILHA – APRESENTAÇÃO

O eixo partilha-apresentação abriga mostras informais e ações de partilha resultantes das diversas ações do projeto e, além disso, conta com o evento anual Dias Abertos Trust, que congrega uma programação multidisciplinar, num fim-de-semana em Setembro. Tomando como inspiração as festas locais onde já se celebra a amizade, com seus bailaricos e comes e bebes, os Dias Abertos inserem aí atrações para todas as idades, até então pouco usuais nestas festas, como performances, instalações, caminhadas eco, concertos, djs e workshops.

O resultado dos 3 eixos será reunido numa publicação-memória do material polifónico que se irá sedimentando ao longo do ano, criando um tecido de aprendizagem coletiva sobre políticas e práticas da amizade.

Todas as atividades do projeto serão gratuitas.

PROGRAMA:

2023

1 Nov | Abertura de candidaturas – Bolsa Mariana Nobre Vieira de Criação

6 – 8 Nov | EIXO FORMAÇÃO 1: Workshop de Práticas de criar corpo-dança – Sofia Neuparth

11 Nov | Festa do Magusto – Apresentação pública do projecto “Políticas e Práticas da Amizade”

18 – 19 Nov | Trust the Process 0 : Fernanda Eugénio | AND LAB

2024

5 – 9 Fev | Residência “Corpo Título” da Companhia Amarelo Silvestre (Parceria CITEMOR)

9 Fev | Partilha Pública | Residência “Corpo Título” Companhia Amarelo Silvestre

16 – 19 Fev | Trust the Process 1:  Fernanda Eugenio, Bernardo Chatillon e Ana Rocha

4 – 10 Mar | EIXO FORMAÇÃO 2: Residência CEM | RISCO DA DANÇA

6 – 21 Abr | EIXO FORMAÇÃO 3: Crafting Residências Assistidas And Lab

14 Abril | Trust the Process 2: Fernanda Eugenio e  Bernardo Chatillon

20 Abr | Apresentação pública CRAFTING

29 Apr – 12 Mai | RITUAIS DA AMIZADE 1: Residência Artista Bolsa Mariana

11 Mai | Apresentação pública RITUAIS AMIZADE 1

1 – 10 Jun | RITUAIS DA AMIZADE 2

8 Jun | Apresentação pública RITUAIS AMIZADE 2

13 – 28 Jul | EIXO FORMAÇÃO 4: Escola do Reparar LANDscape

9 – 14 Set | RITUAIS DA AMIZADE 3

14 Set | Apresentação pública RITUAIS AMIZADE 3

14 – 15 Set | DIAS ABERTOS

7 – 13 Out | Trust the Process Final: Fernanda Eugenio e  Bernardo Chatillon

23 Nov | ENCERRAMENTO

BIO dos curadores:

Bernardo Chatillon pretende imaginar novos mundos, colocando a hipótese de nos relacionarmos com os espaços que estão obstruídos, camuflados, ilegíveis, ignorados, invisíveis. Conviver com os corpos, as paisagens e os movimentos que estão presentes, mas não têm visibilidade, em articulação com o conceito de Pensamento Mágico aplicado à dimensão teatral. Estreou-se com os Artistas Unidos. Depois de completar o Chapitô integrou a Formação Intensiva Acompanhada no c.e.m e mais tarde a Escola Superior de Teatro e Cinema (Licenciatura Teatro / Actor). Entre 2012 e 2015 integra o casting da companhia do Teatro Nacional D. Maria II. Em 2016 muda-se para Berlim onde colabora em diversos formatos e projectos através de práticas artísticas, encontros e espectáculos com Marc Lohr, Sigal Zouk, Mineral Wasser Kolective, Peter Pleyer, Stephanie Mahler, Jeremy Wade , Benoilt Lachambre, Keith Hennessy, Joy Mariama Smith, Meg Stuart, Sandra Noeth, Fernanda Eugenio entre outros e completa o mestrado Solo/Dance/ Authorship (SODA) pela Inter- University Center for Dance Berlin (HZT/UDK). Recentemente, criou os espetáculos Reindeer Age #0 , Uferstudios Berlin (2019), Teatro Do Bairro Alto (2020), Reindeer Age #1, P.T. Espaço do Tempo(2021), O fazer do dizer , Centro Cultural de Belém (2022).

Fernanda Eugenio | Artista, investigadora, educadora. O seu trabalho envolve criação conceitual e performance expandida (corpo, instalação, vídeo, fotografia e proposições situadas), intervenção social e práticas ético-estéticas e somáticopolíticas. Atua na construção de modos de fazer transversais para composição /criação – nomeadamente o Modo Operativo AND (MO_AND), metodologia que criou e vem desdobrando desde os anos 2000, no entrelaçamento entre fazeres artísticos e processos participativos. Fundou (com João Fiadeiro, marcante colaboração entre 2009-2014) e dirige, desde 2011, a plataforma AND Lab (com sede em Lisboa e núcleos no Brasil, em Espanha e Alemanha), estrutura artesanal de investigação artística, que opera no cruzamento entre as artes, o pensamento crítico, as práticas político-afetivas encarnadas e as pedagogias radicais, reunindo criadores comprometides com o exercício da arte enquanto reciprocidade que sustenta a vida (em) comum. É pós-doutorada (2012) pelo ICS/Universidade de Lisboa; doutorada (2006) e mestre (2002) Antropologia Social, Museu Nacional UFRJ; formada em Dança (Escola Angel Vianna). Foi Pesquisadora Associada do CESAP/UCAM (2003-17) e Professora Adjunta de Ciências Sociais (PUC-Rio, 2005-12). Nos últimos vinte anos tem atuado como artista convidada em diversos programas de formação em Artes e Performance na Europa, EUA e América do Sul, tendo passado por mais de uma centena de instituições e tido o seu trabalho MO_AND estudado em teses de mestrado/ doutoramento nas mais diversas áreas (artes, psicologia, pedagogia, estudos culturais etc). Suas publicações, criações artísticas e colaborações circula(ra)m por Brasil, Chile, Argentina, Peru, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Alemanha, Áustria, Rep.Checa, Reino Unido, EUA, Canadá, N.Zelândia, Vietname e Filipinas.

Este projeto é financiado 

Direção Geral das Artes